quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O que esconde o Estado Português sobre o naufrágio do Bolama?

Em Abril de 1994, durante uma visita oficial a Portugal, o Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês Niels Helveg Petersen, solicitou ao seu hómologo português Durão Barroso, que fosse realizada uma operação de mergulho ao navio Bolama.

Niels Helveg Petersen, Ministro dos Negócios Estrangeiros
da Dinamarca entre 1993 e 2000.


Durão Barroso, Ministro dos Negócios Estrangeiros de
Portugal entre 1992 e 1995.

A autorização para a operação de mergulho nunca foi concedida e os motivos da recusa nunca foram explicados como consta de um comunicado do Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês datado de 15 de Outubro de 1997, que transcrevemos na íntegra:




Comunicado do
Ministro dos Negócios Estrangeiros Dinamarquês
Niels Helveg Petersen
sobre o afundamento do Bolama

  
Da parte dinamarquesa temos durante anos, dirigido muitas diligências às autoridades portuguesas sobre este caso trágico que tem quase seis anos. O meu antecessor teve em 1992 a oportunidade de discutir o caso com o Ministro dos Negócios Estrangeiros Português. Durante a minha visita oficial a Portugal em Abril de 1994, sublinhei o nosso desejo de ficarmos informados sobre o esforço de esclarecimento do caso, bem como solicitei uma autorização para uma operação de mergulho no navio Bolama.
A autorização para tal operação de mergulho nunca foi dada e a explicação desta recusa também nunca nos foi comunicada. Mas ao pai do falecido engenheiro de máquinas dinamarquês foi concedida a oportunidade de intervir no caso e assim ter acesso ao relatório de investigação das autoridades portuguesas.
Constata-se ao mesmo tempo que o sistema judicial português deu o seguimento ao processo. Um tribunal em Lisboa concluiu que não foi possível atribuir responsabilidades por esta catástrofe cujo esclarecimento se torna cada vez mais difícil com o passar dos anos.

Copenhaga, 15 de Outubro de 1997


O pedido do governo dinamarquês devia-se ao facto de entre as trinta vítimas mortais do naufrágio do navio Bolama, encontrar-se o cidadão dinamarquês, o engenheiro Niels Jonhstad Moller, director da empresa que mediou a venda do Bolama à Crustacil.
 
A ex-deputada dinamarquesa do parlamento europeu, Karin Riis-Jorgensen escreveu duas vezes para os Ministros da Defesa de Portugal para saber a razão do estado português nunca ter apurado o motivo do afundamento do navio Bolama. A primeira carta foi enviada em 1996 para o então Ministro António Vitorino e a segunda em 1998 foi endereçada ao Ministro Veiga Simão. Nunca obteve qualquer resposta.

A ex-eurodeputada dinamarquesa Karin Riis-Jorgensen

António Vitorino foi Ministro da Defesa Nacional entre 1995 e 1997

José Veiga Simão foi Ministro da Defesa Nacional entre 1997 e 1999

A 19 de Abril de 2000, a eurodeputada levantou novamente a questão do Bolama no Conselho Europeu como pode consultar no seguinte link: