sexta-feira, 28 de junho de 2013

SOS Bolama

Um dos factos mais enigmáticos do naufrágio do Bolama é não ter sido lançado qualquer pedido de socorro. Para os interessados aqui fica a lista completa de equipamentos electrónicos que o navio possuia na ponte de comando:


- 1 Furuno FR 1011 W. Plotter CD-140 and Alarm RA-24 (1983).
- 1 Furuno Colour Radar FCR 1411 (1983).
- 1 Furuno Interface, AD-10 Converter and Data Recorder (1983).
- 1 Furuno FSI Rejector RI-3.
- 1 Furuno Loran C, LC-80 (1983).
- 1 Furuno Sat. Navigator, FSN-70 (1983).
- 1 Magnavox Sat. Navigator MX 1112 (1977).
- 1 Furuno Automatic Finder VHF/FD-525 (1983).
- 1 Furuno Finder, FD-120 (1983).
- 1 Sperry Gyrocompass, SR-120 (1977).
- 1 Roberston Autopilot (1983).
- 1 Magnetic Compass.
- 2 Furuno Colour Echo Sounder, FCV-161 (1983).
- 1 Furuno Water Temperature Meter (1983).
- 1 Furuno Weatherfax, FAX-108 (1983).
- 1 Eprit Telex W/monitor, TT 1583 (1983).
- 1 Skanti Radiostation 200 V, TRP-5000, SW, MW, LW.
- 1 Sailor Emergency Radio Station, 24 V, N-179/R-104, MW.
- 1 Skanti Radio Receiver, R-6000 (1983).
- 1 Skanti Watch Receiver, WR 6000 (1983).
- 1 Sailor VHF, RT-144 B, Simplex (1977).
- 1 Sailor VHF, C-402, Duplex (1983).
- 1 Phonico Intercom, PK-20.



Ponte de comando do navio Bolama.
 Solicita-se aos especialistas em comunicações navais e leitores deste Blog que nos possam enviar informações sobre o equipamento acima designado e opinião como não foi possível emitir um pedido de socorro.


O Misterioso Naufrágio do Bugaled Breizh

No dia 15 de Janeiro de 2004, o arrastão francês Bugaled Breizh naufragou misteriosamente ao largo do cabo Lizard. Os cinco tripulantes faleceram no acidente. Desde então, os familiares da vítimas têm travado uma batalha jurídica para apurar as causas do naufrágio. De início, pensou-se que o navio tinha colidido com um cargueiro filipino, o Seattle Trader, mas a hipótese acabou por ser abandonada após uma vistoria ao casco. O Bugaled Breizh que estava afundado a cerca de 90 metros foi removido para a superfície após sete meses da data do afundamento.




O arrastão Bugaled Breizh.

A hipótese de colisão com um submarino continuou a ser levada a sério pelos familiares das vítimas. O submarino holandês Dolfjin foi apontado desde o início como o causador do acidente mas a Marinha holandesa refere que o vaso de guerra estava a pelo menos 20 milhas do local do naufrágio. Também se levantaram suspeitas em relação aos submarinos ingleses HMS Torbay e HMS Turbulent embora a Royal Navy continue a desmentir qualquer envolvimento no naufrágio.



O submarino inglês HMS Turbulent.

A 2 de Julho de 2010, o Tribunal de Rennes decidiu reabrir o caso com base na possibilidade de um submarino norte-americano numa missão de observação de transporte de resíduos perigosos, a partir do porto de Cherbourg, estar envolvido no naufrágio do Bugaled Breizh. Tal como no caso do Bolama, a história ainda não está resolvida.

Até à presente data, foram publicados dois livros sobre o naufrágio do Bugaled Breizh: "Adieu Bugaled Breizh" do escritor e cronista da France 2, Yann Queffélec, e o livro "Le Bugaled Breizh: Secrets d´Etats Autour d´un Naufrage" da autoria dos jornalistas Laurent Richard e Sebastien Turay.




 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Depoimento do jornalista português Jorge Almeida

Depoimento do jornalista Jorge Almeida

O jornalista da RTP, Jorge Almeida, que tem investigado nos últimos anos as circuntâncias do naufrágio do navio Bolama, fez a gentileza de escrever um depoimento para este Blog de Investigação. Em 2007 publicou o livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem?" (Prime Books) e em 2014 reeditou o livro com novas informações com a chancela da Gradiva.


O Mistério Continua....


Jornalista Jorge Almeida.

Em 1991, estava a dar os primeiros passos como jornalista numa emissora de rádio local da Amadora, a  Rádio Mais, que funcionava na cave de um prédio na Quinta do Borel. Recordo-me da chegada de uma equipa de reportagem composta pelo João Ferreira (hoje na CM TV), pela Isilda Félix e pelo Jorge Gabriel (hoje apresentador da RTP) com a frustação de não ter nada de novo para informar. Ironia do destino, uma das fontes da notícia estava mesmo por cima de nós, no Rés de Chão do prédio. Tratava-se do Mestre auxiliar do navio, Tomé Bio, que naquele fatídico dia de 4 de Dezembro de 1991, não embarcou por razões de saúde.
O caso nunca mais me deixou... E desde então tenho desenvolvido uma investigação que motivou um livro publicado em 2007.

Livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem?"
(Gradiva, 2014)


Como tive oportunidade de escrever no prefácio não defendo nenhuma tese. Tal como a Polícia Judicíária, o Ministério Público, as várias sedes de justiça, não consegui chegar a uma conclusão. Porém, estou convicto que existem muitos factores estranhos nesta longa história. Pelo respeito que os familiares das vitimas merecem, penso que o navio já devia ter sido removido para a superfície, não só para se tentar apurar as causas do naufrágio, mas também para os familiares darem um funeral digno aos seus entes queridos.


Lisboa, 27 de Junho de 2013

Jorge Almeida, Jornalista RTP


PS - Pode adquirir o livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem" (Gradiva 2014) através do site da editora Gradiva: www.Gradiva.PT
 


Depoimento do jornalista dinamarquês Morten Gliemann

Depoimento do jornalista Morten Gliemann

O jornalista dinamarquês Morten Gliemann sempre acompanhou de perto a realidade portuguesa e em especial o naufrágio do Bolama. Foram da sua autoria os primeiros artigos publicados nos jornais dinamarqueses sobre o desaparecimento do navio e até hoje tem investigado o caso para a descoberta da verdade. Fez a gentileza de escrever um texto para este Blog de investigação:


Vista para o mar

Jornalista Morten Gliemann.



Morava no Monte Estoril, na altura. Era estudante de português na universidade e ao mesmo tempo estudante de jornalismo na Dinamarca. Mas vivia em Portugal. Pensava mais em praia do que em navios, mas via, de longe, parte da navegação diária. Num edifício alto no Monte Estoril tem-se uma bela vista. Mas havia dias de nevoeiro que me fazia lembrar a Dinamarca. Temos muitas ilhas e muito nevoeiro – e uma grande tradição de navegação. Também. Eu escrevia um pouco todos os dias, num computador portátil. Era o único dono / usuário desse tipo de ferramenta na faculdade (de letras). Acho. Ninguém tinha internet. Eu tinha uma impressora, imprimia textos que enviava por fax do posto de gasolina mais próximo. E preparava um trabalho mais “pesado” sobre a primeira presidência portuguesa da União Europeia. Quais perspectivas? Esperanças? Receios? Bem longe das minhas pesquisas e pesamentos aconteceu um breaking news quase fora das minhas janelas. Um navio parcialmente dinamarquês, mas de nome tropical - “Bolama” – desapareceu. Desvaneceu. Sumiu. Simplesmente. Era demais para uma cabeça nórdica. As coisas não somem, e há explicações para tudo. Tudo! Tal aconteceu num dia de nevoeiro denso e imenso. Os dias seguintes seriam de “grande aula” de português - e jornalismo – para mim. Comprava e lia os jornais de referência, ligava o rádio, a televisão. Aos poucos fiquei com uma certa vontade de ir ter com as fontes. Mas quais?
Pretende-se escrever e editar vários “posts” sobre este verdadeiro porém moderno mistério. Sugestões serão bem-vindas.

Com os melhores cumprimentos de Morten “Martinho” Gliemann.

domingo, 23 de junho de 2013

Cargueiro croata largou de Lisboa depois do Bolama

No dia 4 de Dezembro de 1991, o navio Bolama largou da doca de Pedrouços em Algés, pelas 11 horas da manhã, com o intuíto de realizar uma experiência de redes e um almoço para vários convidados a bordo. O arrastão luso-guineense saiu da barra de Lisboa pelo enfiamento Sul.
Sensívelmente há mesma hora, o cargueiro croata Porer também largou do porto de Lisboa com destino a Angola e terá seguido a mesma rota em direcção a Sul. Desconhece-se a carga que o navio de 160 metros transportava. Nos dias seguintes ao desaparecimento do Bolama levantaram-se algumas suspeitas em relação a este navio...


O cargueiro Porer fotografado em Espanha em 1997.

O cargueiro chegou a Luanda com quatro dias de atraso em relação à data prevista. A pedido das autoridades portuguesas, o comandante foi interrogado e declarou que nunca esteve em contacto visual ou rádio com o Bolama. Um facto estranho já que o Bolama está afundado no enfiamento sul da barra de Lisboa, precisamente por onde o Porer transitou. Infelizmente não temos dados suficientes para fazer os cálculos e verificar se terá sido possível o cargueiro não ter visto o arrastão a realizar a experiência de redes (as imagens subaquáticas disponíveis demonstram que o Bolama estava a arrastar). 
O navio croata mudou de nome em Maio de 1995 para Nzol Contender e em 2002 para, Eleanora. Foi desmantelado num porto indiano em Maio de 2011.


Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama, envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Misterioso Caso do Arctic Sea

A 23 de Julho de 2009, o navio Arctic Sea largou do porto filandês de Pietarsaari com destino a Bejaia na Argélia. A tripulação era composta por 15 russos e a carga era alegadamente 4000 toneladas de madeira cortada nos bosques filandeses. O navio nunca chegou ao seu destino e esteve desaparecido durante vinte dias.
O mistério começou ainda no Mar Báltico quando um grupo de homens armados (4 estónios, 2 letões e 2 russos) entrou no navio e sequestrou a tripulação. Rapidamente desligaram o sistema de identificação automática (AIS) de modo a que o navio com 98 metros de comprimento não pudesse ser localizado. A partir daqui foi o silêncio total...


O navio Arctic Sea.

A um pedido de informação de Moscovo, o governo português respondia que o navio não se encontrava nas suas águas territoriais apesar do jornal russo Rossiyskaya garantir que o navio tinha sido avistado pela última vez por um piloto da Força Aérea Portuguesa, a 2 de Agosto, quando realizava um patrulhamento no Oceano Atlântico na latitude da cidade do Porto. O mistério continuava...
Uma semana depois do navio não ter chegado ao destino, a 12 de Agosto, o presidente russo Dmitri Medvedev deu ordens à Marinha para que fizesse tudo o que estava ao seu alcance para encontrar o navio. Dois submarinos nucleares e a fragata Ladny começaram então a vasculhar as águas do Atlântico.



Fragata russa Ladny.
 
O Arctic Sea seria finalmente localizado a 16 de Agosto a 300 milhas ao largo do arquipélago de Cabo Verde. A tripulação estava de boa saúde e depois de interrogada foi transportada por via aérea para Arkhangelsk, a cidade russa de onde os tripulantes eram naturais. Os oito elementos do grupo armado ficaram sob custódua das autoridades russas.
O governo de Moscovo não deu mais explicações sobre o caso e depressa começaram a surgir rumores sobre a verdadeira carga que o navio transportava. O jornal inglês Daily Telegraph avançou que o navio podia estar a transportar armas, droga ou até material nuclear. O jornalista David Osler do Lloyd´s List, um dos mais prestigiados jornais do mundo sobre transportes marítimos, classificou o episódio à BBC como "um incidente misterioso e fora do normal."

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Depoimento do filho da vitima dinamarquesa



Steffen Johnstadd-Moller

No dia 4 de Dezembro de 1991, Steffen Johnstadd-Moller tinha 10 anos e o seu irmão Morten 13 anos, quando perderam o pai no naufrágio do navio Bolama em Portugal. Steffen vive hoje em Xangai e ao ter conhecimento deste Blog decidiu escrever-nos um depoimento exclusivo:

"Não é apenas a perda do nosso pai que magoa mas o facto de alguém, algures, saber o que aconteceu naquele dia e por alguma razão não dá o passo em frente. Possivelmente, mesmo após 22 anos, as pessoas que têm a informação de que necessitamos, têm medo de algo ou de alguém.
Vivemos num mundo onde a informação está disponível se a procurarmos nos sítios certos ou se perguntarmos às pessoas certas e se quisermos ir mais além que o meu avô que encontrou uma fria parede de silêncio, acredito que temos de pedir ajuda às pessoas. Alguém deve ter uma fotografia, alguma informação ou a pista exacta que necessitamos para resolver este mistério.
Devo dizer que estou muito desapontado com os governos dinamarquês e português por tão pouco terem feito durante tanto tempo. A maioria dos políticos em ambos os governos já não são os mesmos, portanto precisamos de começar tudo de novo e colocar as mesmas questões de há 22 anos atrás.
Tanto a nossa, como as outras famílias têm o direito de saber o que se passou para que tenhamos alguma paz interior. Este caso ainda está muito vivo e penso estar a falar por todos quando digo que não iremos descansar até termos a certeza do que aconteceu."

19 de Junho de 2013, Steffen Johnstadd Moller




O dinamarquês Niels Johnstad Moller falecido em 1991 no
naufrágio do Bolama. Deixou dois filhos pequenos, Morten e Steffen.
 
English testimony of Stephen Johnstadd Moller:


"It is not so much the loss of our father that hurts, but the fact that someone out there knows what happened that day and are for some reason not stepping forward. Possibly, even after more than 20 years, the people who have the information we need are afraid of something or someone.
We are living in a world where information is available if we just look the right places or ask the right people and if we are to succeed where my Grandfather hit a cold wall of silence, I believe we need to ask the public for help. Someone out there must have a picture, a bit of information or exactly the clue we need in order to solve this mystery.
I must say that I am very disappointed in both the Danish and the Portuguese governments for not doing enough for so long. Most of the politicians in both governments have changed now, so I think we need to start all over again and ask the same questions we asked 20 years ago.
The other families as well as our own family need to know what happened so we can get rest in our minds. This case is still very much alive and I think I speak for everybody when I’m saying that we won’t rest until we get certainty."


19 June 2013, Steffen Johnstadd Moller

Bolama afundou-se em escassos minutos

Depois do naufrágio do navio Bolama, a 4 de Dezembro de 1991, foram efectuados vários relatórios de peritos para se apurar as causas do afundamento. Num relatório elaborado a pedido dos arguidos e conduzido pelo Contra-Almirante Engenheiro construtor naval Carlos Ribeiro Caldeira Saraiva, pelo Contra-Almirante Engenheiro construtor naval António Balcão Fernandes e pelo professor engenheiro Manuel das Dores Pinto, concluiu-se:

"O navio cumpria todos os requisitos do Critério de Estabilidade Intacta estabelecidos (...) incluíndo os relativos a ondulação e ventos fortes (...) o afundamento do Bolama ocorreu num curto espaço de tempo, pois: não deu tempo para se lançar um SOS ou qualquer comunicação; não permitiu a utilização dos meios de salvação a bordo; dos oito corpos de passageiros e tripulantes recolhidos, nenhum tinha colete de salvação, o que indica uma fuga num desastre quase instântaneo (...)"

Os peritos escrevem no relatório como causas prováveis do acidente: "a prisão do aparelho de pesca em cabo submarino ou peguilho, errada manobra durante o arrasto, enchimento súbito das redes por apára-lápis, lodo, ou golpe de mar".



O navio Bolama está afundado a 130 metros de profundidade.


O pesqueiro Bolama tinha 38 metros de comprimento e a ter-se afundado num curto espaço de tempo, pode-se estar a falar entre os dois e os quatro minutos. Mesmo nesta margem de tempo continuam muitas questões por esclarecer:

- Porque razão não foi lançado qualquer sinal SOS pelos vários rádios existentes na ponte?

- Porque motivo não foi lançado qualquer sinal luminoso (very lights)?

- O local do naufrágio fica no enfiamento da barra sul do Tejo, rota permanente de passagem de navios e visível da zona de Cascais. Como ninguém poderá ter visto nada?

- Os oito corpos encontrados não tinham coletes de salvação. O tempo em que ocorreu a tragédia foi insuficiente para a utilização dos meios de salvação, incluíndo o lançamento ao mar das balsas salva-vidas?

Nos dias seguintes ao desaparecimento do navio não foram encontrados quaisquer meios de salvação, destroços do navio ou manchas de gasóleo.  O navio só foi localizado a 5 de Fevereiro de 1992 através da utilização de um sonar lateral da lancha hidrográfica Auriga.


NRP Auriga

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Nolama, envie-nos um email para: investigacaobolama@gmail.pt



domingo, 16 de junho de 2013

Literatura sobre o naufrágio do Bolama

Livros



Livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem? do jornalista Jorge Almeida. Prefácio de Joaquim Furtado. (Versão actualizada com novas informações). Gradiva 2014. www.gradiva.pt




Livro "Grandes Naufrágios Portugueses (1194-1991)" do Oficial da Marinha de Guerra José António Rodrigues Pereira. Prefácio de Adolfo Silveira Martins. Esfera dos Livros, 2013. www.esferadoslivros.pt.


Internet

Blog Navio Bolama - Bolama Vessel

Blog Quintus

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bolama: Segredo de Estado?

O desaparecimento do navio Bolama desencadeou a maior operação de Busca e Salvamento até hoje realizada em Portugal. Eis a principal lista de membros do XII Governo Constitucional (1991-1995), Chefe do Estado Maior da Armada e Direção dos Serviços Secretos. Estas figuras de estado seguiram de perto os acontecimentos relativos ao naufrágio do navio Bolama:


Aníbal Cavaco Silva, Primeiro-Ministro.


Fernando Nogueira, Ministro da Defesa Nacional

José Manuel Durão Barroso, Ministro dos Negócios Estrangeiros.


Manuel Dias Loureiro, Ministro da Administração Interna.

Almirante Fuzeta da Ponte,
Chefe do Estado Maior da Armada.

Geeneral Chito Rodrigues, Director dos Serviços Secretos Militares.



 
Ramiro Ladeiro Monteiro, Director do SIS.

Com a publicação das fotografias anteriores apenas se pretende fazer um enquadramento histórico com a data do naufrágio do Bolama e de quem possuía acesso a informação secreta do estado português.

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com

domingo, 9 de junho de 2013

Governo português recusou reflutuação do Bolama

Em 1995, o empresário dinamarquês Jorgen Mortensen que mediou a venda do navio Bolama para Portugal e que perdeu o filho no naufrágio (Niels Johnstad Moller) pediu ao Ministro da Defesa português, António Vitorino, que o navio fosse removido para a superfície. Para o efeito, Jorgen Mortensen estava disposto a colaborar financeiramente na operação.




Jorgen Mortensen, entretanto já falecido, foi um dos familiares
das vítimas que mais lutou pela descoberta da verdade sobre
o naufrágio do navio Bolama.

A recusa do Estado português foi dada em Agosto de 1996 numa carta assinada por Arnaldo Cruz, o Chefe de Gabinete do Ministro António Vitorino:

"(...) A autoridade marítima, Capitania do Porto, não vê necessidade de, no âmbito das suas competências, exigir a remoção do navio, uma vez que não se verificam os pressupostos da lei, isto é, prejuízo para a navegação, o regime de portos, a pesca ou a saúde pública. Está, pois, afastada a hipótese de a reflutuação ser ordenada por iniciativa da Administração, com base em razões de ordem pública (...)"

Alguns parágrafos mais à frente pode-se ler:

"(...) A autoridades judiciárias, que se tenha conhecimento, não decretaram quaisquer diligências que pudessem conduzir directa ou indirectamente à necessidade de remover ou fazer reflutuar o navio. E certo é que nenhum contacto foi efectuado pelos Tribunais ou pelo Ministério Público, ao Ministério da Defesa, no sentido de apurar da exequibilidade de semelhante operação (...)"



António Vitorino foi Ministro da Defesa de Portugal entre 1995 e 1997.

Em declarações à RTP em 1997, Jorgen Mortensen referiu que "existiu alguma coisa no interior do navio que as autoridades portuguesas não querem que venha à luz do dia. Estou convencido que a carga do Bolama tem algo a ver com material militar".



Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com