quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

22 Anos Depois: O que aconteceu ao navio Bolama?

A 4 de Dezembro de 2013 passam 22 anos sobre o naufrágio do navio Bolama que vitimou trinta pessoas.  Trata-se de uma das maiores tragédias que ocorreram em Portugal nas últimas décadas - o acidente do avião da TAP no Funchal provocou 131 mortos e a queda da ponte de Entre-os-Rios vitimou 59 pessoas - e a descoberta da verdade continua por apurar. Até hoje ninguém conseguiu explicar porque razão o navio luso-guineense se afundou na saída da barra do porto de Lisboa quando ia realizar uma simples experiência de redes e um almoço a bordo para alguns convidados.
Nas conclusões do Tribunal da Relação de Lisboa pode-se ler "(...) ninguém tem a certeza absoluta do que efetivamente se passou, mas por consulta de desenhos, de estudos anteriores feitos ao navio, por testemunhos de várias pessoas envolvidas nas obras que ao logo do tempo foram feitas ao mesmo, ou que de certa forma colaboraram no seu carregamento, ou que nele viajaram anteriormente, é possível com bastante aproximação à realidade, estabelecer uma ou mais hipóteses que expliquem o naufrágio súbito e repentino como o que, indubitavelmente, ocorreu (...)"
As hipóteses, a incerteza absoluta sobre o que aconteceu, deram lugar a várias teses que sugerem que o navio foi afundado devido à carga que transportava. O arrastão estava prestes a largar para a Guiné-Bissau. Falou-se de armamento nuclear das ex-repúblicas soviéticas, de transporte de urânio, de tráfico de armas, da ação de serviços secretos internacionais mas também aqui mais uma vez não existem provas que sustentem a tese de sabotagem. O que é certo é que o Estado Português nunca demonstrou interesse em apurar o que aconteceu.
 
Homenagem às vitimas no cabo Espichel


Este blog de investigação nasceu com o intuito de contribuir para a descoberta da verdade sobre o naufrágio do navio Bolama. Decorridos oitos meses desde a sua fundação, os autores congratulam-se pelas mais de 32 mil visitas de países de todos os continentes e agradecem as várias pistas que têm sido enviadas e cuidadosamente analisadas.
Mais uma vez, pedimos aos familiares das vitimas ou a quem tenha informações relevantes sobre o naufrágio do Bolama que possam contribuir para o apuramento da verdade que as enviem para o e-mail: investigacaobolama@gmail.com
 
Garantimos o anonimato das nossas fontes de informação.


 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O que esconde o Estado Português sobre o naufrágio do Bolama?

Em Abril de 1994, durante uma visita oficial a Portugal, o Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês Niels Helveg Petersen, solicitou ao seu hómologo português Durão Barroso, que fosse realizada uma operação de mergulho ao navio Bolama.

Niels Helveg Petersen, Ministro dos Negócios Estrangeiros
da Dinamarca entre 1993 e 2000.


Durão Barroso, Ministro dos Negócios Estrangeiros de
Portugal entre 1992 e 1995.

A autorização para a operação de mergulho nunca foi concedida e os motivos da recusa nunca foram explicados como consta de um comunicado do Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês datado de 15 de Outubro de 1997, que transcrevemos na íntegra:




Comunicado do
Ministro dos Negócios Estrangeiros Dinamarquês
Niels Helveg Petersen
sobre o afundamento do Bolama

  
Da parte dinamarquesa temos durante anos, dirigido muitas diligências às autoridades portuguesas sobre este caso trágico que tem quase seis anos. O meu antecessor teve em 1992 a oportunidade de discutir o caso com o Ministro dos Negócios Estrangeiros Português. Durante a minha visita oficial a Portugal em Abril de 1994, sublinhei o nosso desejo de ficarmos informados sobre o esforço de esclarecimento do caso, bem como solicitei uma autorização para uma operação de mergulho no navio Bolama.
A autorização para tal operação de mergulho nunca foi dada e a explicação desta recusa também nunca nos foi comunicada. Mas ao pai do falecido engenheiro de máquinas dinamarquês foi concedida a oportunidade de intervir no caso e assim ter acesso ao relatório de investigação das autoridades portuguesas.
Constata-se ao mesmo tempo que o sistema judicial português deu o seguimento ao processo. Um tribunal em Lisboa concluiu que não foi possível atribuir responsabilidades por esta catástrofe cujo esclarecimento se torna cada vez mais difícil com o passar dos anos.

Copenhaga, 15 de Outubro de 1997


O pedido do governo dinamarquês devia-se ao facto de entre as trinta vítimas mortais do naufrágio do navio Bolama, encontrar-se o cidadão dinamarquês, o engenheiro Niels Jonhstad Moller, director da empresa que mediou a venda do Bolama à Crustacil.
 
A ex-deputada dinamarquesa do parlamento europeu, Karin Riis-Jorgensen escreveu duas vezes para os Ministros da Defesa de Portugal para saber a razão do estado português nunca ter apurado o motivo do afundamento do navio Bolama. A primeira carta foi enviada em 1996 para o então Ministro António Vitorino e a segunda em 1998 foi endereçada ao Ministro Veiga Simão. Nunca obteve qualquer resposta.

A ex-eurodeputada dinamarquesa Karin Riis-Jorgensen

António Vitorino foi Ministro da Defesa Nacional entre 1995 e 1997

José Veiga Simão foi Ministro da Defesa Nacional entre 1997 e 1999

A 19 de Abril de 2000, a eurodeputada levantou novamente a questão do Bolama no Conselho Europeu como pode consultar no seguinte link:

 
 
 
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"Xinha", o genro de Salvador Caetano

José Manuel Sousa Esteves natural de Ponte de Sor faleceu no misterioso naufrágio do navio Bolama a 4 de Dezembro de 1991. Era genro de Salvador Caetano por ter contraído matrimónio com Ana Maria Martins Caetano, a filha mais nova do empresário. Conhecido entre os amigos por "Xinha" pertenceu em tempos ao Grupo de Forcados Amadores de Lisboa de Salvação Barreto.


José Manuel Sousa Esteves na frente dos forcados.
 
 
"Xinha" é o terceiro a contar da esquerda para a direita.
 
 
Caso tenha alguma informação sobre José Manuel Sousa Esteves "Xinha" ou sobre o naufrágio do navio Bolama, envie um email para: investigacaobolama@gmail.com

domingo, 15 de setembro de 2013

Dono do Bolama em entrevista à SIC Notícias

Um dos proprietários do navio Bolama, Carlos Gomes Júnior, concedeu uma entrevista ao programa Sociedade das Nações da SIC Notícias. O ex-primeiro-ministro da Guiné Bissau disse não compreender a razão de novas eleições de raíz visto que o seu governo foi ilegalmente deposto.

Carlos Gomes Júnior na Sic Notícias

Cadogo, nome pelo qual é conhecido desde a infância, revelou estar pronto a regressar à Guiné Bissau para disputar as próximas eleições. O naufrágio do navio luso-guineense Bolama não foi abordado durante a entrevista conduzida por Nuno Rogeiro.

sábado, 14 de setembro de 2013

País do Bolama é plataforma de droga

Nos últimos anos todos os relatórios internacionais referem que o país do navio luso-guineense Bolama é uma plataforma giratória de tráfico de droga. A Guiné Bissau fica com um magro quinhão das receitas geradas pelo negócio da cocaína, cerca de 800 milhões de dólares.
A 2 de Abril de 2012 a DEA, a agência norte americana de combate ao tráfico de droga, deteve Bubo Na Tchuto sob a acusação de tráfico de estupefacientes e de armas. O Almirante aguarda julgamento nos Estados Unidos da América.


Almirante Bubo Na Tchuto

O alvo principal da DEA é agora António Indjai, o Chefe do Estado das Forças Armadas da Guiné Bissau. O General deverá figurar na próxima lista de barões da droga elaborada pelo tesouro americano.



General António Indjai

O General António Indjai afirmou recentemente, "não tenho nem dinheiro nem conta em nenhum banco deste mundo".
Numa estrevista publicada hoje no semánário Expresso, Pedro Pires, o ex-presidente da república de Cabo Verde e um dos principais comandantes do PAIGC, acusa os militares guineenses de "tirania e deliquência". Recorde-se que um dos proprietários do arrastão luso-guineense Bolama, era Carlos Gomes Júnior, actual presidente do PAIGC da Guiné Bissau e ex-primeiro ministro.


Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama, envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com







quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ex-dono do Bolama indiciado por vários crimes

Numa entrevista publicada hoje no Diário de Noticias, o responsável político da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, afirma que Carlos Gomes Júnior está indiciado por vários crimes. Em resposta a uma pergunta sobre o anúncio da candidatura de Gomes Júnior às eleições presidenciais de 24 de Novembro, Fernando Vaz responde, "Ele pode anunciar a candidatura, mas se insistir em voltar à Guiné-Bissau será detido, porque está indiciado por uma série de crimes. Os tribunais saberão o que fazer."
 


Carlos Gomes Júnior foi Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau entre Maio de 2004
a Novembro de 2005 e de Janeiro de 2009 a Fevereiro 2012 (Foto de Rui Gaudêncio).
 




Carlos Gomes Júnior é presidente do partido PAIGC desde 2002. Conhecido por Cadogo é um dos homens mais ricos da Guiné-Bissau com negócios na área da farmacêutica, turismo e pescas.
O empresário de 64 anos de idade pertencia à data do naufrágio do navio Bolama ao conselho de administração das empresas Crustacil, Atlântica e Guipal, juntamente com os portugueses Salvador Caetano, Armindo Rodrigo Leite e Laurindo Correia da Costa.
 
 
Fernando Vaz é o actual responsável político da Guiné-Bissau
(Foto de Orlando Almeida- Global Imagens)
 
Segundo declarações de Augusto Mansoa, um médico guineense radicado em Portugal, à rádio francesa RFI, o ex-primeiro ministro guineense "está acusado de crime de sangue numa série de assassinatos antes de ele ter sido destítuido."
Em 2011, os familiares das vítimas dos assassinatos políticos de 2009, apresentaram em Bissau uma queixa-crime contra os membros do governo encabeçado por Carlos Gomes Júnior. Na sequência de conflitos internos foram mortas várias pessoas em 2009, entre elas o presidente Nino Vieira, o candidato presidencial Baciro Dabo, o ex-CEMGFA Tagmé Na Waye, o deputado Hélder Proença, Tito Abna N´Tchala e Natele Cadujcan Nhaga.
Na edição de 9 de Maio de 2013 da revista Sábado é revelado que Carlos Gomes Júnior está a ser investigado pela Polícia Judiciária portuguesa por ter recebido uma transferência de 1,5 milhões de euros feita pelo empresário angolano Domingos Manel Inglês. A operação foi comunicada pelo banco à PJ e ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que investiga as movimentações financeiras do cidadão angolano, no âmbito do processo de denúncia deste empresário. Segundo a mesma revista, a transferência em causa foi efectuada em Julho de 2012.
O político guineense esteve em Lisboa no passado dia 16 de Maio proveniente de Abidjan, Costa do Marfim, e esteve reunido com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva e com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Mais tarde à entrada da sede da CPLP, Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Carlos Gomes Júnior referiu que "está pronto para regressar à Guiné".

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama, envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com
 

sábado, 20 de julho de 2013

Identificação dos corpos do naufrágio do Bolama

Apenas foram recuperados oito corpos resultantes do naufrágio do navio Bolama, ocorrido a 4 de Dezembro de 1991:

- António Manuel das Neves, serralheiro da empresa metalúrgica Os Unidos.
- Fernando José Dias Duarte, assessor da administração da empresa Crustacil.
- Jaime António Fernandes, pescador.
- Vitor Manuel da Silva, empregado da empresa Os Unidos.
- Isaías Bailó, pescador.
- Pedro Gomes, pescador.
- António Pires dos Santos, sócio-gerente da empresa Os Unidos.
- José Barros Tomás, mestre de redes.

Todos os relatórios das autópsias revelaram que as mortes foram provocadas por asfixia por submersão, excepto os corpos de Pedro Gomes e José Barros Tomás devido ao avançado estado de decomposição.



Navio Bolama

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama, envie-nos um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Lost at sea off Lisbon coast

Navio Bolama

On the 4th of December 1991, the fishing trawler “Bolama”, which had recently been sold to new owners, headed out from the port of Lisbon to conduct an on-board business lunch and in order to test the trawlers fishing gear.  The faith of the vessel and the 30 crew onboard, however, was to be very much different, as the vessel disappeared and the crew has never been heard from again.

The mysterious disappearance triggered the biggest search and rescue operation ever to be conducted by the Portuguese Government. The search and rescue team consisted of several airplanes from the Portuguese Air force and 7 Naval Ships including the Frigate “Roberto Ivens”, which also carried onboard the Special Forces DAE (Destacamento de Acções Especiais), which specializes in anti-terrorism and hostage operations at sea.

On the 20th of December 1991, "The Journal" printed an article suggesting the vessel had been carrying a nuclear device sold by former soviet republics to presumably Libya. The device should be transferred to another vessel off the coast of Lisbon, but according to "The Jounal", MOSSAD prevented the receiving ship to arrive at the destination. To this date, there is still no evidence of this story.

On 5th of February 1992, the vessel was located by sonar on the bottom of the sea off the coast of Lisbon in a very trafficated area. The portuguese Navy immediately arranged a diving inspection of the vessel and denied others, namely a private person from Denmark who lost his son on the ship, to do the same. Even after an official request by the danish government in 1994, the portuguese government refused to give an authority for a diving inspection and did not give any explanation either. Till this date, only video images made by the portuguese government is available.

Onboard the vessel and particulary on the bridge was a great number of emergency devices to call for help. None of the these were ever used. Further, on the deck was placed two self-inflating life rafts, buoys and life jackets that have never been found either.

The Criminal Court of Lisbon concluded in 1996 that the vessel was lost due to natural causes. The appeal filed by the prosecutors was denied. The insurance company did not pay out any compensation to the onwers and the Lisbon Maritime Court absolved the insurance company, as the actual course of the simking could not be determined. In 1997, 23 relatives filed charges against the owners, classification company, the insurance company and finnaly the portuguese state. Nine years later in 2006, the Lisbon Civil Court declared itself incompetent to hear the case. No cases related to this matter has ever since been tried in court.

There are lots of questions and we have tried to give our objective view on as many as them on this blog. However, with the information presently in hand, we are still not able to determine what happen on that day back in 1991. So if you have any information, clues or pictures or if you think we missing something crucial, please let us know on following email: investigacaobolama@gmail.com

sexta-feira, 28 de junho de 2013

SOS Bolama

Um dos factos mais enigmáticos do naufrágio do Bolama é não ter sido lançado qualquer pedido de socorro. Para os interessados aqui fica a lista completa de equipamentos electrónicos que o navio possuia na ponte de comando:


- 1 Furuno FR 1011 W. Plotter CD-140 and Alarm RA-24 (1983).
- 1 Furuno Colour Radar FCR 1411 (1983).
- 1 Furuno Interface, AD-10 Converter and Data Recorder (1983).
- 1 Furuno FSI Rejector RI-3.
- 1 Furuno Loran C, LC-80 (1983).
- 1 Furuno Sat. Navigator, FSN-70 (1983).
- 1 Magnavox Sat. Navigator MX 1112 (1977).
- 1 Furuno Automatic Finder VHF/FD-525 (1983).
- 1 Furuno Finder, FD-120 (1983).
- 1 Sperry Gyrocompass, SR-120 (1977).
- 1 Roberston Autopilot (1983).
- 1 Magnetic Compass.
- 2 Furuno Colour Echo Sounder, FCV-161 (1983).
- 1 Furuno Water Temperature Meter (1983).
- 1 Furuno Weatherfax, FAX-108 (1983).
- 1 Eprit Telex W/monitor, TT 1583 (1983).
- 1 Skanti Radiostation 200 V, TRP-5000, SW, MW, LW.
- 1 Sailor Emergency Radio Station, 24 V, N-179/R-104, MW.
- 1 Skanti Radio Receiver, R-6000 (1983).
- 1 Skanti Watch Receiver, WR 6000 (1983).
- 1 Sailor VHF, RT-144 B, Simplex (1977).
- 1 Sailor VHF, C-402, Duplex (1983).
- 1 Phonico Intercom, PK-20.



Ponte de comando do navio Bolama.
 Solicita-se aos especialistas em comunicações navais e leitores deste Blog que nos possam enviar informações sobre o equipamento acima designado e opinião como não foi possível emitir um pedido de socorro.


O Misterioso Naufrágio do Bugaled Breizh

No dia 15 de Janeiro de 2004, o arrastão francês Bugaled Breizh naufragou misteriosamente ao largo do cabo Lizard. Os cinco tripulantes faleceram no acidente. Desde então, os familiares da vítimas têm travado uma batalha jurídica para apurar as causas do naufrágio. De início, pensou-se que o navio tinha colidido com um cargueiro filipino, o Seattle Trader, mas a hipótese acabou por ser abandonada após uma vistoria ao casco. O Bugaled Breizh que estava afundado a cerca de 90 metros foi removido para a superfície após sete meses da data do afundamento.




O arrastão Bugaled Breizh.

A hipótese de colisão com um submarino continuou a ser levada a sério pelos familiares das vítimas. O submarino holandês Dolfjin foi apontado desde o início como o causador do acidente mas a Marinha holandesa refere que o vaso de guerra estava a pelo menos 20 milhas do local do naufrágio. Também se levantaram suspeitas em relação aos submarinos ingleses HMS Torbay e HMS Turbulent embora a Royal Navy continue a desmentir qualquer envolvimento no naufrágio.



O submarino inglês HMS Turbulent.

A 2 de Julho de 2010, o Tribunal de Rennes decidiu reabrir o caso com base na possibilidade de um submarino norte-americano numa missão de observação de transporte de resíduos perigosos, a partir do porto de Cherbourg, estar envolvido no naufrágio do Bugaled Breizh. Tal como no caso do Bolama, a história ainda não está resolvida.

Até à presente data, foram publicados dois livros sobre o naufrágio do Bugaled Breizh: "Adieu Bugaled Breizh" do escritor e cronista da France 2, Yann Queffélec, e o livro "Le Bugaled Breizh: Secrets d´Etats Autour d´un Naufrage" da autoria dos jornalistas Laurent Richard e Sebastien Turay.




 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Depoimento do jornalista português Jorge Almeida

Depoimento do jornalista Jorge Almeida

O jornalista da RTP, Jorge Almeida, que tem investigado nos últimos anos as circuntâncias do naufrágio do navio Bolama, fez a gentileza de escrever um depoimento para este Blog de Investigação. Em 2007 publicou o livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem?" (Prime Books) e em 2014 reeditou o livro com novas informações com a chancela da Gradiva.


O Mistério Continua....


Jornalista Jorge Almeida.

Em 1991, estava a dar os primeiros passos como jornalista numa emissora de rádio local da Amadora, a  Rádio Mais, que funcionava na cave de um prédio na Quinta do Borel. Recordo-me da chegada de uma equipa de reportagem composta pelo João Ferreira (hoje na CM TV), pela Isilda Félix e pelo Jorge Gabriel (hoje apresentador da RTP) com a frustação de não ter nada de novo para informar. Ironia do destino, uma das fontes da notícia estava mesmo por cima de nós, no Rés de Chão do prédio. Tratava-se do Mestre auxiliar do navio, Tomé Bio, que naquele fatídico dia de 4 de Dezembro de 1991, não embarcou por razões de saúde.
O caso nunca mais me deixou... E desde então tenho desenvolvido uma investigação que motivou um livro publicado em 2007.

Livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem?"
(Gradiva, 2014)


Como tive oportunidade de escrever no prefácio não defendo nenhuma tese. Tal como a Polícia Judicíária, o Ministério Público, as várias sedes de justiça, não consegui chegar a uma conclusão. Porém, estou convicto que existem muitos factores estranhos nesta longa história. Pelo respeito que os familiares das vitimas merecem, penso que o navio já devia ter sido removido para a superfície, não só para se tentar apurar as causas do naufrágio, mas também para os familiares darem um funeral digno aos seus entes queridos.


Lisboa, 27 de Junho de 2013

Jorge Almeida, Jornalista RTP


PS - Pode adquirir o livro "O Mistério do Bolama - Acidente ou Sabotagem" (Gradiva 2014) através do site da editora Gradiva: www.Gradiva.PT
 


Depoimento do jornalista dinamarquês Morten Gliemann

Depoimento do jornalista Morten Gliemann

O jornalista dinamarquês Morten Gliemann sempre acompanhou de perto a realidade portuguesa e em especial o naufrágio do Bolama. Foram da sua autoria os primeiros artigos publicados nos jornais dinamarqueses sobre o desaparecimento do navio e até hoje tem investigado o caso para a descoberta da verdade. Fez a gentileza de escrever um texto para este Blog de investigação:


Vista para o mar

Jornalista Morten Gliemann.



Morava no Monte Estoril, na altura. Era estudante de português na universidade e ao mesmo tempo estudante de jornalismo na Dinamarca. Mas vivia em Portugal. Pensava mais em praia do que em navios, mas via, de longe, parte da navegação diária. Num edifício alto no Monte Estoril tem-se uma bela vista. Mas havia dias de nevoeiro que me fazia lembrar a Dinamarca. Temos muitas ilhas e muito nevoeiro – e uma grande tradição de navegação. Também. Eu escrevia um pouco todos os dias, num computador portátil. Era o único dono / usuário desse tipo de ferramenta na faculdade (de letras). Acho. Ninguém tinha internet. Eu tinha uma impressora, imprimia textos que enviava por fax do posto de gasolina mais próximo. E preparava um trabalho mais “pesado” sobre a primeira presidência portuguesa da União Europeia. Quais perspectivas? Esperanças? Receios? Bem longe das minhas pesquisas e pesamentos aconteceu um breaking news quase fora das minhas janelas. Um navio parcialmente dinamarquês, mas de nome tropical - “Bolama” – desapareceu. Desvaneceu. Sumiu. Simplesmente. Era demais para uma cabeça nórdica. As coisas não somem, e há explicações para tudo. Tudo! Tal aconteceu num dia de nevoeiro denso e imenso. Os dias seguintes seriam de “grande aula” de português - e jornalismo – para mim. Comprava e lia os jornais de referência, ligava o rádio, a televisão. Aos poucos fiquei com uma certa vontade de ir ter com as fontes. Mas quais?
Pretende-se escrever e editar vários “posts” sobre este verdadeiro porém moderno mistério. Sugestões serão bem-vindas.

Com os melhores cumprimentos de Morten “Martinho” Gliemann.

domingo, 23 de junho de 2013

Cargueiro croata largou de Lisboa depois do Bolama

No dia 4 de Dezembro de 1991, o navio Bolama largou da doca de Pedrouços em Algés, pelas 11 horas da manhã, com o intuíto de realizar uma experiência de redes e um almoço para vários convidados a bordo. O arrastão luso-guineense saiu da barra de Lisboa pelo enfiamento Sul.
Sensívelmente há mesma hora, o cargueiro croata Porer também largou do porto de Lisboa com destino a Angola e terá seguido a mesma rota em direcção a Sul. Desconhece-se a carga que o navio de 160 metros transportava. Nos dias seguintes ao desaparecimento do Bolama levantaram-se algumas suspeitas em relação a este navio...


O cargueiro Porer fotografado em Espanha em 1997.

O cargueiro chegou a Luanda com quatro dias de atraso em relação à data prevista. A pedido das autoridades portuguesas, o comandante foi interrogado e declarou que nunca esteve em contacto visual ou rádio com o Bolama. Um facto estranho já que o Bolama está afundado no enfiamento sul da barra de Lisboa, precisamente por onde o Porer transitou. Infelizmente não temos dados suficientes para fazer os cálculos e verificar se terá sido possível o cargueiro não ter visto o arrastão a realizar a experiência de redes (as imagens subaquáticas disponíveis demonstram que o Bolama estava a arrastar). 
O navio croata mudou de nome em Maio de 1995 para Nzol Contender e em 2002 para, Eleanora. Foi desmantelado num porto indiano em Maio de 2011.


Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama, envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Misterioso Caso do Arctic Sea

A 23 de Julho de 2009, o navio Arctic Sea largou do porto filandês de Pietarsaari com destino a Bejaia na Argélia. A tripulação era composta por 15 russos e a carga era alegadamente 4000 toneladas de madeira cortada nos bosques filandeses. O navio nunca chegou ao seu destino e esteve desaparecido durante vinte dias.
O mistério começou ainda no Mar Báltico quando um grupo de homens armados (4 estónios, 2 letões e 2 russos) entrou no navio e sequestrou a tripulação. Rapidamente desligaram o sistema de identificação automática (AIS) de modo a que o navio com 98 metros de comprimento não pudesse ser localizado. A partir daqui foi o silêncio total...


O navio Arctic Sea.

A um pedido de informação de Moscovo, o governo português respondia que o navio não se encontrava nas suas águas territoriais apesar do jornal russo Rossiyskaya garantir que o navio tinha sido avistado pela última vez por um piloto da Força Aérea Portuguesa, a 2 de Agosto, quando realizava um patrulhamento no Oceano Atlântico na latitude da cidade do Porto. O mistério continuava...
Uma semana depois do navio não ter chegado ao destino, a 12 de Agosto, o presidente russo Dmitri Medvedev deu ordens à Marinha para que fizesse tudo o que estava ao seu alcance para encontrar o navio. Dois submarinos nucleares e a fragata Ladny começaram então a vasculhar as águas do Atlântico.



Fragata russa Ladny.
 
O Arctic Sea seria finalmente localizado a 16 de Agosto a 300 milhas ao largo do arquipélago de Cabo Verde. A tripulação estava de boa saúde e depois de interrogada foi transportada por via aérea para Arkhangelsk, a cidade russa de onde os tripulantes eram naturais. Os oito elementos do grupo armado ficaram sob custódua das autoridades russas.
O governo de Moscovo não deu mais explicações sobre o caso e depressa começaram a surgir rumores sobre a verdadeira carga que o navio transportava. O jornal inglês Daily Telegraph avançou que o navio podia estar a transportar armas, droga ou até material nuclear. O jornalista David Osler do Lloyd´s List, um dos mais prestigiados jornais do mundo sobre transportes marítimos, classificou o episódio à BBC como "um incidente misterioso e fora do normal."

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Depoimento do filho da vitima dinamarquesa



Steffen Johnstadd-Moller

No dia 4 de Dezembro de 1991, Steffen Johnstadd-Moller tinha 10 anos e o seu irmão Morten 13 anos, quando perderam o pai no naufrágio do navio Bolama em Portugal. Steffen vive hoje em Xangai e ao ter conhecimento deste Blog decidiu escrever-nos um depoimento exclusivo:

"Não é apenas a perda do nosso pai que magoa mas o facto de alguém, algures, saber o que aconteceu naquele dia e por alguma razão não dá o passo em frente. Possivelmente, mesmo após 22 anos, as pessoas que têm a informação de que necessitamos, têm medo de algo ou de alguém.
Vivemos num mundo onde a informação está disponível se a procurarmos nos sítios certos ou se perguntarmos às pessoas certas e se quisermos ir mais além que o meu avô que encontrou uma fria parede de silêncio, acredito que temos de pedir ajuda às pessoas. Alguém deve ter uma fotografia, alguma informação ou a pista exacta que necessitamos para resolver este mistério.
Devo dizer que estou muito desapontado com os governos dinamarquês e português por tão pouco terem feito durante tanto tempo. A maioria dos políticos em ambos os governos já não são os mesmos, portanto precisamos de começar tudo de novo e colocar as mesmas questões de há 22 anos atrás.
Tanto a nossa, como as outras famílias têm o direito de saber o que se passou para que tenhamos alguma paz interior. Este caso ainda está muito vivo e penso estar a falar por todos quando digo que não iremos descansar até termos a certeza do que aconteceu."

19 de Junho de 2013, Steffen Johnstadd Moller




O dinamarquês Niels Johnstad Moller falecido em 1991 no
naufrágio do Bolama. Deixou dois filhos pequenos, Morten e Steffen.
 
English testimony of Stephen Johnstadd Moller:


"It is not so much the loss of our father that hurts, but the fact that someone out there knows what happened that day and are for some reason not stepping forward. Possibly, even after more than 20 years, the people who have the information we need are afraid of something or someone.
We are living in a world where information is available if we just look the right places or ask the right people and if we are to succeed where my Grandfather hit a cold wall of silence, I believe we need to ask the public for help. Someone out there must have a picture, a bit of information or exactly the clue we need in order to solve this mystery.
I must say that I am very disappointed in both the Danish and the Portuguese governments for not doing enough for so long. Most of the politicians in both governments have changed now, so I think we need to start all over again and ask the same questions we asked 20 years ago.
The other families as well as our own family need to know what happened so we can get rest in our minds. This case is still very much alive and I think I speak for everybody when I’m saying that we won’t rest until we get certainty."


19 June 2013, Steffen Johnstadd Moller

Bolama afundou-se em escassos minutos

Depois do naufrágio do navio Bolama, a 4 de Dezembro de 1991, foram efectuados vários relatórios de peritos para se apurar as causas do afundamento. Num relatório elaborado a pedido dos arguidos e conduzido pelo Contra-Almirante Engenheiro construtor naval Carlos Ribeiro Caldeira Saraiva, pelo Contra-Almirante Engenheiro construtor naval António Balcão Fernandes e pelo professor engenheiro Manuel das Dores Pinto, concluiu-se:

"O navio cumpria todos os requisitos do Critério de Estabilidade Intacta estabelecidos (...) incluíndo os relativos a ondulação e ventos fortes (...) o afundamento do Bolama ocorreu num curto espaço de tempo, pois: não deu tempo para se lançar um SOS ou qualquer comunicação; não permitiu a utilização dos meios de salvação a bordo; dos oito corpos de passageiros e tripulantes recolhidos, nenhum tinha colete de salvação, o que indica uma fuga num desastre quase instântaneo (...)"

Os peritos escrevem no relatório como causas prováveis do acidente: "a prisão do aparelho de pesca em cabo submarino ou peguilho, errada manobra durante o arrasto, enchimento súbito das redes por apára-lápis, lodo, ou golpe de mar".



O navio Bolama está afundado a 130 metros de profundidade.


O pesqueiro Bolama tinha 38 metros de comprimento e a ter-se afundado num curto espaço de tempo, pode-se estar a falar entre os dois e os quatro minutos. Mesmo nesta margem de tempo continuam muitas questões por esclarecer:

- Porque razão não foi lançado qualquer sinal SOS pelos vários rádios existentes na ponte?

- Porque motivo não foi lançado qualquer sinal luminoso (very lights)?

- O local do naufrágio fica no enfiamento da barra sul do Tejo, rota permanente de passagem de navios e visível da zona de Cascais. Como ninguém poderá ter visto nada?

- Os oito corpos encontrados não tinham coletes de salvação. O tempo em que ocorreu a tragédia foi insuficiente para a utilização dos meios de salvação, incluíndo o lançamento ao mar das balsas salva-vidas?

Nos dias seguintes ao desaparecimento do navio não foram encontrados quaisquer meios de salvação, destroços do navio ou manchas de gasóleo.  O navio só foi localizado a 5 de Fevereiro de 1992 através da utilização de um sonar lateral da lancha hidrográfica Auriga.


NRP Auriga

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Nolama, envie-nos um email para: investigacaobolama@gmail.pt



terça-feira, 11 de junho de 2013

Bolama: Segredo de Estado?

O desaparecimento do navio Bolama desencadeou a maior operação de Busca e Salvamento até hoje realizada em Portugal. Eis a principal lista de membros do XII Governo Constitucional (1991-1995), Chefe do Estado Maior da Armada e Direção dos Serviços Secretos. Estas figuras de estado seguiram de perto os acontecimentos relativos ao naufrágio do navio Bolama:


Aníbal Cavaco Silva, Primeiro-Ministro.


Fernando Nogueira, Ministro da Defesa Nacional

José Manuel Durão Barroso, Ministro dos Negócios Estrangeiros.


Manuel Dias Loureiro, Ministro da Administração Interna.

Almirante Fuzeta da Ponte,
Chefe do Estado Maior da Armada.

Geeneral Chito Rodrigues, Director dos Serviços Secretos Militares.



 
Ramiro Ladeiro Monteiro, Director do SIS.

Com a publicação das fotografias anteriores apenas se pretende fazer um enquadramento histórico com a data do naufrágio do Bolama e de quem possuía acesso a informação secreta do estado português.

Caso tenha alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com

domingo, 9 de junho de 2013

Governo português recusou reflutuação do Bolama

Em 1995, o empresário dinamarquês Jorgen Mortensen que mediou a venda do navio Bolama para Portugal e que perdeu o filho no naufrágio (Niels Johnstad Moller) pediu ao Ministro da Defesa português, António Vitorino, que o navio fosse removido para a superfície. Para o efeito, Jorgen Mortensen estava disposto a colaborar financeiramente na operação.




Jorgen Mortensen, entretanto já falecido, foi um dos familiares
das vítimas que mais lutou pela descoberta da verdade sobre
o naufrágio do navio Bolama.

A recusa do Estado português foi dada em Agosto de 1996 numa carta assinada por Arnaldo Cruz, o Chefe de Gabinete do Ministro António Vitorino:

"(...) A autoridade marítima, Capitania do Porto, não vê necessidade de, no âmbito das suas competências, exigir a remoção do navio, uma vez que não se verificam os pressupostos da lei, isto é, prejuízo para a navegação, o regime de portos, a pesca ou a saúde pública. Está, pois, afastada a hipótese de a reflutuação ser ordenada por iniciativa da Administração, com base em razões de ordem pública (...)"

Alguns parágrafos mais à frente pode-se ler:

"(...) A autoridades judiciárias, que se tenha conhecimento, não decretaram quaisquer diligências que pudessem conduzir directa ou indirectamente à necessidade de remover ou fazer reflutuar o navio. E certo é que nenhum contacto foi efectuado pelos Tribunais ou pelo Ministério Público, ao Ministério da Defesa, no sentido de apurar da exequibilidade de semelhante operação (...)"



António Vitorino foi Ministro da Defesa de Portugal entre 1995 e 1997.

Em declarações à RTP em 1997, Jorgen Mortensen referiu que "existiu alguma coisa no interior do navio que as autoridades portuguesas não querem que venha à luz do dia. Estou convencido que a carga do Bolama tem algo a ver com material militar".



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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Bolama: A polémica com o submarino Albacora

Na instrução do processo do Bolama levantou-se a hipótese do submarino português Albacora ter abalroado o navio ou ter ficado enredado nas suas redes e assim ter provocado o seu afundamento. O juiz ordenou que fossem disponibilizados os diários de bordo dos três submarinos da Armada portuguesa bem como a documentação das reparações realizadas entre 4 de Dezembro de 1991 e 31 de Maio de 1992.


Submarino Albacora

Conclui-se que o submarino Albacora esteve atracado na Base do Alfeite entre 29 de Novembro e 9 de Dezembro de 1991. O submarino Delfim estava igualmente no Alfeite em reparação. Por último, o  submarino Barracuda regressava da Escócia e no dia 4 de Dezembro de 1991 (data do naufrágio do navio Bolama) navegava no golfo da Biscaia.
A guarnição destes submarinos que já foram abatidos era normalmente composta por 52 homens; sete oficiais, 15 sargentos e 30 praças. Não parece plausível que todos os membros da tripulação tenham permanecido em silêncio e ocultado um acidente que provocou trinta mortos.

Abertura no casco do Bolama

O presidente do Sindicato Livre dos Pescadores tem vindo a público falar de uma abertura no casco do Bolama que não existia na data do naufrágio do navio. Em declarações à Agência Lusa a 2 de Dezembro de 2011, Joaquim Piló afirma que a abertura foi feita para retirar "algo de muito valioso que lá seguia" e admite tratar-se de "armas ou urânio". Este foi o principal argumento para em Janeiro de 2007 ter solicitado à Procuradoria Geral da República em conjunto com familiares das vítimas, a reabertura do processo.



Abertura no casco do Bolama
 
Joaquim Piló, Presidente do Sindicato Livre dos Pescadores
 
Na realidade a abertura no casco do Bolama já existia pelo menos há nove meses como comprova uma fotografia do navio datada de 13 de Março de 1991 no porto de Nyborg na Dinamarca.



Navio Bolama no porto de Nyborg
Três dias depois desta fotografia, a 16 de Março de 1991, o navio Bolama largou de Nyborg rumo a Lisboa. De Maio a Setembro, o arrastão realizou uma viagem à Guiné Bissau.

domingo, 19 de maio de 2013

Ministros da Defesa não responderam a Eurodeputada

A ex-deputada dinamarquesa do parlamento europeu, Karin Riis-Jorgensen escreveu duas vezes para os Ministros da Defesa de Portugal para saber a razão do estado português nunca ter apurado o motivo do afundamento do navio Bolama. A primeira carta foi enviada em 1996 para o então Ministro António Vitorino e a segunda em 1998 foi endereçada ao Ministro Veiga Simão. Nunca obteve qualquer resposta.


A ex-eurodeputada dinamarquesa Karin Riis-Jorgensen

António Vitorino foi Ministro da Defesa Nacional entre 1995 e 1997

José Veiga Simão foi Ministro da Defesa Nacional entre 1997 e 1999

A 19 de Abril de 2000, a eurodeputada levantou novamente a questão do Bolama no Conselho Europeu como pode consultar no seguinte link:


sábado, 18 de maio de 2013

Bolama: O episódio da vidente russa

13 de Dezembro de 1991. O navio Bolama está desaparecido há nove dias. Os familiares desesperam e a tensão cresce nos gabinetes do Estado Maior da Armada. Finalmente uma boa notícia... A fragata Álvares Cabral, a corveta Jacinto Cândido e a Rádio Naval de Sagres interceptam comunicações que indicam que o navio pode estar a navegar em direção a Cabo Verde.
Entretanto, Ana Caetano, filha do empresário Salvador Caetano e mulher de José Manuel Esteves que seguia a bordo do navio, recorre aos serviços de uma vidente russa. Não é pura invenção. As suas declarações constam da acusação do Ministério Público:


“Esclareceu ainda (Ana Caetano) ter estado em contacto com uma “vidente russa”, que lhe forneceu “as coordenadas” de localização do navio, que depois transmitiu, (com explicação desconhecida) ao Director-Geral da Crustacil, Pedro Paulino de Noronha, que as fez chegar ao comando encarregado das buscas, à Força Aérea e à Embaixada de Cabo Verde, daí resultando a realização de buscas neste local”.


O empresário Salvador Caetano, um dos proprietários do navio Bolama
que faleceu em 2011.


Foi com base nestas informações que o então Chefe de Estado Maior da Armada, o Almirante Fuzeta da Ponte decidiu enviar a Fragata Roberto Ivens para Cabo Verde com o DAE a bordo (vide publicação anterior: Forças Especiais foram à procura do Bolama).




Fragata Roberto Ivens

A Força Aérea Portuguesa também decide enviar uma aeronave P3 Orion para o arquipélago de Cabo Verde ao início da tarde do dia 13 de Dezembro de 1991.


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Mayday Bolama

Um dos factos mais enigmáticos sobre o naufrágio do navio Bolama é não ter sido emitido qualquer sinal de SOS. A ponte de comando do arrastão estava equipada com dois rádios VHF. O que quer que tenha acontecido ocorreu num curto espaço de tempo embora os especialistas navais ouvidos nesta investigação sejam unânimes em considerar que um navio com 38 metros de comprimento não se afunda em segundos de forma a que não seja possível emitir um aviso de socorro ou o lançamento de um very light.


Ponte de comando do navio Bolama


Nos dias seguintes ao desaparecimento do navio apesar das intensas buscas que foram realizadas não foram detectados quaisquer meios de salvamento. Nas imagens subaquáticas recolhidas por um ROV da Marinha portuguesa também não são visiveis os equipamentos de salvação. O navio Bolama possuia duas balsas salva vidas, um bote de borracha para além de coletes de salvação e de bóias. Nenhum dois oito corpos resgatados tinha colete de salvação.



Destroços do navio Bolama


Se tiver alguma informação sobre o naufrágio do navio Bolama envie um e-mail para: investigacaobolama@gmail.com